Perdidos e achados

feriado

ainda melhor que a ruína

um parque de monumentos
sem braço, espada ou cavalo

        lembranças do futuro
        do que não pude
        não deixar de não ser

ainda melhor
melhor que a ruína

        a lapidação
        do braço da Vênus

ou ainda

o beijo entre ruas e bares
conhecendo a boca
aventando caminhos
a serem incompletos

        o cigarro molhado de chuva
        aceso no bico

a cartografia do beijo
espaço sem fim do desconhecido
que incrível acontece
entre duas bocas
sem GPS

                                encontro das faltas
                            lábios e perdas
                        achado e palavras
                    em verso armado
                de concreto armado

viajar para o cerrado
com meu serrado ser

ainda melhor

deixar-se aos escombros
                      dos corpos amantes

rindo da busca
pelo tudo, todo, toldo
ou manto

minto

quero sua manta
de tecido barato americano

minha busca
pelo que não sou
alegria cheia de vida
desperta em mim o desconhecido
que encontro às vezes na esquina

ainda a ruína

se perder na tua superfície
como quem se afoga no rasinho
e de repente levanta rindo
do possível impossível

ainda,

sentir o talho
no corpo vivo
se prender nas tuas pernas
e esquecer o gozo
que não ainda
que não escombro ou ruína

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