Descabido amor

meu amor sem fotografia
corre bicho
pela flama do instante
tal ardor
enquadrado na estante
preso e frio
repousaria

uma imagem sem poesia
impede a morte viver no amante
qual museu de mar ao navegante
que – forte – na água
estranha tanta calmaria

fera , amiga
teu carinho e fotogenia
vivem soltos no verdume coruscante
onde a natureza faz-se restaurante
em cardápio de agora e alegria

vem o amor descampar a pradaria
tamanho tão sem ……..
que nem cabe na Bahia restante
e descabido o amar da fotografia
pelo o céu de Brasília
perto fica de todo horizonte

tempo bailarina
dança teu cardume inconstante
muda de rompante
rumo novo que me guia

[e dessa rebelde sincronia
um jardim de amor consoante
não há dia ou noite exasperante
que pela manhã se seguiria]

mesmo quando espreita a nostalgia
de algum momento distante
vou amar sem fotografia
teu corpo aqui
na idade incontável do sol
onde a palavra – saudade
é um feliz e diabético saci
fumando cachimbo no arrebol

e dessa estranha alegoria
segue añejo, amor meu
ainda mais debutante
quando perto cheiro
a orquídea fumegante
no calor teu
de meio-dia

nem o mais vil deserto impediria
nossa úmida república itinerante
natação que faz aérea ponte
deixar de lado a máquina
e amar adentro
em mar de poesia

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